Songtext zu 'Dez Construção' von Rafael Madara

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O que é que eu preciso fazer, pra você me escutar
Esse conto que eu vou cantar, é quente em todo lugar
O ano inteiro tá ligado rotina de favelado
É sol na cara, é muita espera e o busão sempre lotado
Porque, vida no gueto cê sabe como é que é
É muita luta, muito rela, pra nóis se manter de pé

E a pé, de pé, a gente percorre até 1000 milhas
Pra manter nossos pais, nossos filhos e nossas filhas
Ei! Se liga! Malandragem não tem na esquina
Não venha falar merda com esses papos de Betina
Meritocracia aqui não, pega a visão!
Nóis dá duro pra caralho e ainda ouve merda de patrão

É o descaso que corrói, é o preconceito que destrói
E até lá no shopping chic, é cara feia dos playboy
Ohh, me dói, ter que vir falar tudo de novo
Essa história é do tempo que o baby ainda era só um ovo
E o povo, que mais trabalha também dá a cara pra bater
Segue sendo humilhado, não adianta fingir que não vê

Pode crer, sociedade é sempre assim
Dá de graça só o não, pra negociar o sim
E a gente, segue aceitando tudo quieto só no sapatinho
Como se essa prisão mental, fosse nosso único caminho
De vinho e pão se faz o ritual lá na missa
E a sociedade usa julgamento e cobiça
E a tua vida? Quem que sabe? Quem que viu?
O que era privado, hoje virou big brother Brasil

Tu viu? Ouviu? Sentiu? Aferiu?
Enquanto a bolsa caía, ao ódio a pobre só subiu
Eu sei que você não foi capaz de perceber
A notícia bem editada que passaram na TV
Disfarçaram ignorância de proposta
E se esconderam atrás de mamadeira de piroca

Toda merda que mandaram no WhatsApp
Pra cada uma delas devia ter uma tecla sap
Assim quem sabe, tu não dá mole na pista
De acreditar em kit gay e ameaça comunista
Qualquer caminho fácil, pra um problema resolver
Dê meia-volta, é lá que tu vai se perder

Nem sempre a mente entende o que ela sente
E acaba escolhendo o que é mais conveniente

Assim como a asa branca foi embora do sertão
O bom senso e a verdade saíram voando com a razão
Por mais que a gente grite, por mais que a gente sente
Não dá nada, a sociedade tá doente
Ei mano! Se concentre, e siga em frente

Para tudo e oxigene sua mente

Ei nem tente, reduzir isso tudo a mimimi
Falácia do espantalho não se cria por aqui

A galera da militância vive de substância
Não é como o velho da Pepsi que parece criança
Observando e absorvendo
Nós vamos construindo a cura pra esse veneno
Eu tô ligado moleque que é tentador
Olhar o mundo pelos olhos do dominador
Sobreviver, é o maior dos planos
Eu sei que ninguém quer ser homem-aranha lutando com thanos
E os anos, que se passaram o que rolou?
Pelo que me contaram, parece que só piorou

Assustador
Desesperador
Quando o medo toma conta
É difícil let it go

Não tem pastor, não tem rabino
Não tem partido, nem escola que segure esse menino
Que acredita fortemente no seu sonho
Que enfrenta pau e pedra
E qualquer comentário de bisonho

Ei tonho! O que rolou?
Em que parte do caminho foi que você desacreditou?
E desistiu de viver a liberdade
Foi no fundamental? Ensino médio? Ou faculdade?
A vida bate, a gente apanha
De tanta pancada parece até que tu perdeu a manha
O que vocês quiserem ser, sejam
Nóis é poeira das estrelas já dizia Sagan
É preciso sentar e refletir
Que nada é justo e vai ser difícil prosseguir
Mas eu não vou aqui engrossar o coro
Que tu tem que vender a vida pra ganhar uns ouro

Mas cada momento vivido, com amigo ou ente querido
É um tesouro valioso que sempre estará contigo

E digo, coloque em dúvida o que tu sabe
O teu maior pilar e a tua maior verdade

Cumpade, não seja agente da dor
Olhe o mundo com os olhos do povo que é sofredor
Eu já chorei
Jesus chorou
E a sociedade segue sendo movida a ódio e rancor
E o amor? E a união?
Sonho sonhado, sufocado pelo som do cifrão
Vai vir sempre um como eu falando
Até que a gente recorde como é ser humano
Nossa essência será resgatada
A nossa vida não será negociada
E quem tirou o sossego da quebrada
Fique sabendo
Que a paz será vingada

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