Quanta dor ainda cabe no peito?
Quanta dor ainda marca uma vida?
Histórias rabiscadas
No rascunho de outro alguém
Fazem lembrar de quem fui
Encontros e palavras
Soltas do quarto pra sala
Mostram rastros do que fui
Pra você e pra mim
A vida me moldou, amor
E pra mim eu fui alguém
Que só quis saber falar de amor
E pra saber
Que de onde vim a vida é mais
Do que viver
É respirar, sentir demais
Pra aprender
A ter amor por quem se é
E perceber
Que a gente é mais do que a dor
A gente é fé
E vai doer se deparar com a tristeza
Quem vai dizer que é fácil de ter certeza?
Se corpos viram muros
Em pessoas que se perdem
Quando é só pra machucar
E a boca que curava
Hoje fala tudo aquilo
Que te corta devagar
E mesmo assim
Você não perde a fé
E mesmo assim
Você espera pra ver
Pra ver além
Do que a dor pode falar
Pra ter a quem
A esperança resgatar
E saber ser mais
Que feridas abertas
Prontas pra causar mais dor
Em quem te ver passar
Ah, ah, ah, ah, ah
Pra curar
Vai dando tempo ao tempo
E reconheça o seu lugar
E escuta
De onde vem a dor
Pra entender e consertar
Quem sabe
O fim de tudo seja só pra poder começar
E encontrar
A voz que te guiava pro futuro te alcançar
Pro futuro te alcançar
E tudo voltar pro lugar